Por Elizabeth Kiyomi

Sandrigo Mangini, 40 anos, doutor em cardiologia, entrou no curso de medicina por gostar de estudar e ser muito interessado em obter conhecimentos. Ele conta que, no início de sua formação, não se preocupava tanto com o doente, mas, sim, com a doença. Porém, ao longo do curso, os professores causaram muito impacto ao mostrarem a importância de se pensar no paciente. A convivência com os pacientes confirmou isso e fez com que ele passasse a enxergar o doente como alvo principal, pois a doença não tem sentido se não tratar o paciente.

Essa foi sua evolução: iniciou o estudo no curso de medicina pensando em doença e ao se formar, passou a ver o paciente de uma forma plena. Teve mentores que o impulsionaram para a clínica médica, cardiologia e, finalmente, para a especialização em transplante cardíaco.

No dia a dia, Mangini controla seu estresse e procura manter o bom humor ouvindo música – rock’n’roll  o ajuda a relaxar. Também assiste ao futebol, torcendo para o time São Paulo. Sente que está em dívida consigo mesmo na questão da prática de atividades físicas por conta do nascimento do filho, mas procura incentivar as pessoas a se exercitarem. Mangini é um profissional sensível às reações das pessoas e um gesto simples como envio de e-mail  de agradecimento por parte de uma paciente representa um incentivo à sua vida profissional.

Para ele, vale a pena trabalhar em uma atividade que promove a vida na sua plenitude. Porém, na prática diária, como médico, depara-se com muitas mortes de pacientes sem reserva funcional suficiente para superar um transplante cardíaco, bem como patologias cardíacas irreversíveis. Sente-se frustrado, e até com vontade de chorar, ao observar pacientes jovens transplantados que, por não terem tido a oportunidade de criar perspectivas de vida, mesmo após o transplante sentem que possuem muitas limitações.

Questionado sobre sua religiosidade, ele primeiro ressalta que a crença em Deus é uma questão muito individual para depois dizer que acredita que a espiritualidade impacta positivamente na atividade médica. “A medicina tende à arrogância e é o pior defeito. Reconhecer a existência de algo maior que o ser humano leva o médico a ser humilde”, afirma.