Na vanguarda das práticas corporativas, Portugal e Brasil mostram ao mundo como se fomenta, organiza e se põe em prática a “economia colaborativa”.

Em um evento prestigiado pela alta cúpula governamental, o Fórum para a Governação Integrada (GOVINT) lançou em Lisboa, no dia 04 de janeiro de 2019, o Ano Nacional da Colaboração de Portugal.

Rui Marques, coordenador do Fórum para Governação Integrada

Na presença de um público seleto e interessado, Rui Marques, coordenador do GOVINT, abriu os trabalhos no auditório da Escola Secundária de Camões, ressaltando a necessidade premente de se “oferecer novas respostas e uma determinação renovada capaz de enfrentar os tempos atuais, marcados pela turbulência, pela incerteza e pela mudança”.

O Fórum para a Governação Integrada surge no cenário português como mecanismo de resposta aos desafios mencionados, mobilizando vontades e recursos da sociedade civil e pública.

Seu objetivo é desenvolver uma cultura colaborativa, “expressa na capacidade de construir, desenvolver e manter relações inter-organizacionais de colaboração hábeis a gerir problemas complexos, com maior eficácia e eficiência”.

Com o lema “Colaborar faz toda a diferença”, durante todo o ano de 2019 o GOVINT vai implantar o modelo de co-construção e de participação de vários setores, que vá efetivamente, contribuir para uma urgente mudança cultural/organizacional.

Abertura oficial

Representantes máximos dos poderes executivos e legislativos de Portugal estavam presentes, a confirmar a imprescindibilidade do compromisso público e institucional da República Portuguesa ao sucesso do projeto.

Os presidentes das Câmaras Municipais de Gaia, Abrantes, Mafra e Odemira, e os secretários de Estado da Justiça, do Emprego e da Educação, demonstraram legítimo comprometimento e adesão ao Ano Nacional da Colaboração em Portugal.

“O ato de colaborar faz parte da natureza humana, mas temos dificuldade em partilhar e em receber. Nesta sociedade cada vez mais individualista, a colaboração constitui nosso maior desafio. Vai nos permitir passar por uma transformação”, destacou Anabela Pedroso, secretária de Estado da Justiça.

Por sua vez, o secretário de Estado da Educação, João Costa, disse que o principal desafio no sistema educativo é o da inclusão. “Escolas, comunidades e municípios com melhores resultados em termos de inclusão são aquelas em que as pessoas perceberam que somente unidos é que se chega a boas soluções”, disse.

No rol das entidades promotoras do transformador movimento estão presentes, entre outras, a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, entidade que há mais de 500 anos trabalha para o bem-estar dos portugueses, em seu todo, prioritariamente dos mais vulneráveis.

Sérgio Cintra, administrador executivo da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa

“Pensar hoje a Ação Social não é tarefa que possa ser confinada a uma perspectiva única ou unidirecional”, mencionou Sérgio Cintra, administrador executivo da Ação Social e do Empreendedorismo e Economia Social da Santa Casa.

Ele frisou que a iniciativa “Ano da Colaboração” vem dar destaque à relevância estratégica da colaboração como forma de resolução de problemas e de otimização dos recursos disponíveis.

Ao ilustrar o trabalho desenvolvido por aquela secular instituição do bem-estar social português, Cintra mencionou o projeto criado para sinalizar todos os lisboetas com 65, ou mais, que morem sozinhos ou com pessoas da mesma faixa etária, com vista a melhor implementar os serviços de manutenção da autonomia, quebra do isolamento e melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas.

O Poder da Colaboração brasileiro como referência

Devidamente oficializado e lançado o Ano Nacional da Colaboração em Portugal, após o intervalo para o almoço, partiu-se para a primeira ação prática do ano.

Inspirado no empreendimento brasileiro O Poder da Colaboração, fundado pela visionária brasileira IzabellaCeccato, Rui Marques, mediante os formalismos necessários, adotou a mesma metodologia de trabalho do bem-sucedido projeto.

O Poder da Colaboração, de Izabella Ceccato, tem por finalidade criar “conexões sinérgicas, fomentar e disseminar a inovação social, a nova economia e o empreendedorismo.”

Por meio de palestras e entrevistas com pessoas e empreendedores, oriundos dos mais diversos âmbitos socioculturais do país, o público presente, física ou virtualmente, nas sessões de O Poder da Colaboração Brasil são conscientizados “de que há, sim, pessoas preocupadas em buscar soluções inclusivas e acessíveis a problemas sociais, financeiros e educacionais e de bem-estar dos cidadãos brasileiros“.

Tal é a efetividade das ações promovidas por Izabella, que o coordenador do Fórum GOVINT decidiu por bem seguir os mesmos padrões e estruturas de trabalho.

O Poder da Colaboração Brasil integra o rol de entidades parceiras do modelo português, estando presente em Lisboa como mestre de cerimônia da primeira sessão portuguesa.

1ª Sessão de O Poder da Colaboração em Portugal

O momento mais esperado do histórico evento lisboeta ocorreu no período da tarde daquele dia.

Com a legitimidade e autoridade que lhe competia, Izabella Ceccato, a mestre de cerimônia do dia, abriu a primeira sessão de O Poder da Colaboração, em Portugal, enaltecendo a grandeza do convite que recebera do presidente do GOVINT, Dr. Rui Marques.

Izabella Ceccato e Rui Marques

Efusivamente saudada pelo coordenador Rui Vieira, Izabella Ceccato, em seu tom doce e informal, deu continuidade ao encontro, contando a todos os ideais de seu projeto, e as conquistas auferidas até o momento.

Em 3 anos de eventos realizados em São Paulo e Rio de Janeiro já sensibilizou mais de 40 mil pessoas, sem falar naquelas pessoas e empresas que impactou e inspirou novos negócios e conexões alinhadas à vertente colaborativa.

Com a presença de oradores nacionais e internacionais, foram expostas iniciativas inovadoras e criativas, na área da educação, totalmente alinhadas aos princípios da nova economia colaborativa.

Receber o apoio da Ashoka Reino Unido, é, de fato, comprovar que o Ano da Colaboração em Portugal é reconhecido como ação relevante ao desenvolvimento social mundial, com expectativa de bons e efetivos resultados à nação lusitana.

Na palavra de Ross Hall, da Global ChangeLeaders/Ashoka Reino Unido, foi enfatizada a necessidade de colaboração mútua para que problemas inter-relacionados sejam resolvidos.

Ross Hall, Global Change Leaders, Ashoka Reino Unido

A Ashoka, entidade que comprometida com a colaboração e a ação sistêmica em todas as escalas, prevê um mundo no qual “todos desfrutem de experiencias de aprendizagem ao longo de suas vidas, e desenvolvam seu potencial como contribuintes ativos para o bem-estar coletivos.”

Este organismo global dá a todos a oportunidade de serem changemakers, identificando, apoiando, acelerando e equipando pessoas e comunidades a fazerem a transformação social necessária.

Conclusões e primeiros frutos

Ao final do dia, coordenador, palestrantes e, principalmente, toda a audiência estavam envoltos em uma energia de alegria e solidariedade, plenamente cientes de que há muito trabalho a ser feito em prol da “era da colaboração”.

E é neste contexto e grau de envolvimento que o Fórum da Governação Integrada GOVINT, e os seus promotores, irão conduzir o Ano Nacional da Colaboração em 2019.

Nomeadamente, o Fórum GOVINT espera sensibilizar os profissionais abaixo relacionados, a fim de que a disseminação do espírito da economia colaborativa em Portugal seja rápida e efetiva:

  • Dirigentes com responsabilidade de definição de estratégias/políticas nas suas organizações e com outras organizações.
  • Profissionais com intervenção em domínios de intensa colaboração intersetorial e em equipes multiprofissionais.
  • Professores/formadores e jovens em fase de formação básica, secundária ou superior.
  • Jornalistas e líderes de opinião que possam disseminar o conceito.

Serão promovidos 20 eventos “O Poder da Colaboração”, em diferentes cidades e com diferentes temáticas, ao longo de 2019, a enfatizar a disseminação da Colaboração, por meio da partilha de experiências inspiradoras em nível local.

Foi criado o site www.colaborar.pt com todas as informações, diretivas sobre o projeto, inclusive um Guia Colaborativo que divulga os projetos colaborativos participantes

Ao encerramento do primeiro mês do ano, o Fórum para a Governação Integrada – GOVINT orgulhosamente anunciou os primeiros frutos doAno Nacional da Colaboração.

Adesões ao Ano Nacional da Colaboração  163 adesões em um mês

Distritos com mais Adesões:

  • 37,87% Lisboa
  • 21,89% Porto
  • 5,33 % Aveiro
  • 5,33% Coimbra
  • 5,33% Setúbal

Áreas de atividades mais abordadas:

  • 21,12% Educação
  • 9,47% Cidadania e Participação Cívica
  • 7,69% Cooperação e Desenvolvimento

O convite para novas adesões continua aberto, e iniciativas com abordagens colaborativas poderão ser submetidas aqui.

 

Quem faz

O Ano Nacional da Colaboração em Portugal é promovido pelos seguintes órgãos e instituições portuguesas e internacionais:

Rui Marques – Fórum para a Governação Integrada

Eduardo Vitor Rodrigues – Presidente da Câmara Municipal de Gaia

Maria do Céu Albuquerque – Presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Anabela Pedroso – Secretária de Estado da Justiça

Miguel Cabrita – Secretário de Estado do Emprego

João Costa – Secretário de Estado da Educação

Instituto Padre Vieira – sociedade civil

Rosário Farmhouse – Comissão Nacional de Proteção dos Direitos e proteção das Crianças e Jovens

Aldevina Rodrigues – Câmara Municipal e Mafra

Angélica Aires – Fundação Montepio

Sérgio Cintra – Santa Casa de Misericórdia de Lisboa

Izabella Ceccato – O Poder da Colaboração – Brasil

Ross Hall – Global Change Leaders/Ashoka Reino Unido

 

Silvia Triboni, fundadora do projeto Across Seven Seas e Repórter 60+, esteve em Lisboa, cobrindo todo o evento.