Por Nuria Torrents

Morris Litvak, 36 anos hoje, criou o Maturijobs em 2015, plataforma digital voltada ao empreendedorismo das pessoas de 50+, abrindo possibilidade de reflexão, networking e aprendizado para aqueles que estavam em busca de novos horizontes, ou  queriam voltar-se à realização de sonhos antigos, ou,  simplesmente, estavam já pensando no futuro pós aposentadoria.

Tudo começou em 2013, ao vender uma empresa, e  “buscando algo com mais sentido para fazer, com mais propósito”, passado um tempo começou a “ver muitas pessoas de 50 e 60+ que perdiam o emprego e sem saber muito o que fazer, se sentindo um inútil, super aflito, deprimido”, perdidas ao se verem sem emprego, por inúmeras causas. Isso o fez lembrar do que havia ocorrido com sua avó, só que com pessoas muito mais jovens. ”Minha maior inspiração foi minha avó, D. Keila, super ativa, mega trabalhadora, trabalhou até os 82 anos, tava super bem, mas um dia caiu na calcada e parou de trabalhar. O fato dela ter parado de trabalhar, a partir do momento que ela teve que ficar em casa, sem fazer nada, a saúde dela foi ladeira abaixo, aí ela teve Alzheimer. e faleceu em 2013.” Foi quando foi pesquisar e “vi que não havia nada sendo feito e vi uma oportunidade de negócio porque ninguém estava olhando para aquilo e, de impacto social, porque já tinha muita gente sofrendo com isso e ia ter cada vez mais, com a população envelhecendo. Foi assim que comecei o Maturijobs em 2015”.

Com esse pensamento aconteceu, na Unibes Cultural, o Maturifest, voltado ao empreendedorismo de uma maneira mais material, mão na massa, pois nada mais convidativo para a materialização das ideias do que reunir centenas de pessoas presencialmente, numa imersão de práticas, ensinamentos  e discussões, como nas rodas de conversas de nossos antepassados. Contou, para sua realização, com a parceria do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon  que, no evento, foi responsável pela mentoria para o empreendedorismo com propostas de agregar pessoas com objetivos comuns e fomentá-las a empreender.

Foram três dias de muito aprendizado, em que circularam mais de 400 pessoas sedentas por escutar as palestras, praticar networking, bate-papo, refletir e trocar informações.

O primeiro dia foi inteiramente voltado a workshops:  Gestão de ideias inovadoras, descomplicando fianças para seu negocio, Presença Digital, Design de Carreira e Inteligência emocional foram alguns dos temas, todos de muito sucesso e os entrevistados que participaram como Irene de Queiroz Forsinetti, 55, sente que “construiu uma ponte com  sua participação”, e apesar de ter vindo pelas mãos de sua amiga Olivia Galvani Amoroso, 59, pretende voltar.

Os dois dias seguintes focaram mais em palestras, com especialistas e empreendedores que trouxeram suas experiencias pessoais, sejam das realizações , do sucesso, como também dos infortúnios, que quase os levaram a desistir.  Isso ficou muito claro nas palestras de Juliana Vanin  e  de Ana Fontes de que o empreendedor “tem atitude”, ou seja tem na veia “fazer o que gosta/ resolver problemas, busca pelo conhecimento e por mudar o mundo e desapego ao dinheiro”. Que fique claro que os empreendedores querem ganhar dinheiro mas não é esse o seu foco principal, para Ana e, sim, resolver problemas. Questionada do porque se voltava às mulheres, Ana explicou que “Somos mais da metade da população do planeta e mães da outra metade, nós não somos minoria”.

Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria abriu os trabalhos no sábado, com exercícios aeróbios e mostrou a importância do respirar com consciência para o relaxamento e o foco.  Explicou como se voltou hoje a essas outras atividades, sem ter deixado completamente seu contato com a ONG que fundou. Continua participando de reuniões, opinando, fazendo palestras, mas sem as obrigações do cargo que ocupava antes, “eu senti que era hora de eu buscar me relacionar com o mundo  com outro olhar que não o do Doutores, havia  um outro mundo acontecendo. Eu quero ter um tempo para investigar isso”. Reconhece que tem “espírito muito inquieto”  e que percebeu que “deveria cuidar da transição da organização enquanto você está na saúde, para mim foi um processo muito orgânico, que durou dois anos de trabalho. Fizemos a escolha de caminho, a gente refundou o Doutores como Associação hoje a diretoria ela é eleita cada dois anos”.

Continuou seu processo pessoal e “a primeira coisa que fiz ao sair foi olhar o mundo, ai fui para a politica, não fui eleito mas continuo achando que nós que trabalhamos junto à área social a gente é ativista politico pelos nossos atos e pelas nossas obras. O convite do Morris para ser mestre de cerimonias me fez entrar no movimento maturi porque me fez entrar no futuro do trabalho principalmente em mudança de modelo mental e esse processo pode ser muito doído, ou trazer muita dor ou frustração,  por causa do modelo mental que a gente tem”. A gente tem que entender a dimensão histórica do que a gente ta fazendo, desse movimento nesse sentido. a gente ta co-criando um caminho que tinha que sair daqui de cima e ser realizado e todos nós somos co-criadores disso e devemos nos orgulhar muito disso. Em resumo, percebe a importância do que se vê no movimento Maturi  nos pequenos movimentos e nas pequenas manifestações, “o que se vê hoje aqui não está nas grandes marcas, está em coisas artesanais, isso é deixar um legado e temos que olhar para isso”.

Houve também uma feira de oportunidades voltadas para o público 50+, seja no perfil de quem oferecia o produto, seja no daquele que iria receber, desde alimentação, viagens, meditação e lazer.  Aproveitando o evento Morris Litvak lançou a plataforma MaturiServices, local digital que  permite que os 50+ ofereçam seus produtos e serviços, revolucionando o modo de pensar e agir profissional desse público.Ainda foram  apresentadas pinceladas dos insights da pesquisa “Empreendedorismo 50+” realizada em conjunto com a NOZ Pesquisa e Inteligência.

A fala comum de quem foi ao evento, foi a busca de novidades, curiosidade sobre o mercado, ampliar relacionamentos, novas ideias. Como Estefano Carrieri, 63, designer de moveis que comprou ingresso só para o sábado, porque se sentia entediado, mas que ao final do dia, encantado com o que viu, ouviu e viveu resolver voltar no domingo e pretende voltar nos próximos.  Denise Elly Kiehn, 54 anos viu,, no evento, “um marco para começar a abrir a cabeça e pensar fora da caixinha”porque ela está há três anos pensando nas possibilidades de empreender.  José Fernando Coelho 58 e Caetano Pellegrini Jr, 54 trabalharam juntos na IBM. Enquanto Coelho só está a procura de negócios desde fevereiro, mesmo aposentado pensando nas oportunidades de crescer, Pellegrini está nessa busca “há dois anos de estagnação”, o que o deixou “muito desalentado, com problemas de saúde” até que viu que precisava se reinventar e “comecei a entrar no mundo do celular, o que me trouxe aqui”. Já Rodrigo Almeida conta que precisou se reinventar pessoal e profissionalmente aos 50+ quando se viu sem emprego e num divorcio no interregno de um mês e montou um novo empreendimento onde é a minoria sênior, o que acha enriquecedor, enfatizando que “eu me alimento do conhecimento dos meninos”.