Por Ana Luna, repórter 60+

O Brasil começa a se preparar para seu envelhecimento. Muitos encontros abordam o tema. No último 27 de abril, um grande evento na Unibes, em São Paulo, chamou a atenção de muitas pessoas : o MaturiFest. Falar sobre empreender após os 50 anos e contar suas histórias de vida profissional foi  a tarefa dos palestrantes do dia.

Logo na abertura, um dos  diretores da Unibes , Bruno Assami,  falou sobre a entidade e o que ela representa para a sociedade. “A agenda da longevidade é a grande agenda do século XXI”, disse ele. A Unibes atende da criança ao idoso,  mas há mais de 40 entidades atuantes no tema longevidade em São Paulo. Para Assami, ter novos amigos após os 80 é um sinal de bem envelhecer e “ ter tempo para aprender” é o significado de ter uma vida longa.

O fundador da Maturijobs , Morris Litvak,falou  sobre o orgulho de ser maturi , o que as pessoas estão buscando e fez a pergunta para a qual todos ali estavam   -“ Vamos  empreender?”. Explicou então como funcionaria  o andamento da reunião, informando que, após as apresentações , o público poderia participar com perguntas aos palestrantes.

No Painel número um da tarde,  o tema foi “Entendendo o cenário do empreendedorismo 50 +”  e a  mediadora , Naiara Corrêa, profissional na área financeira. -“ A criança que você foi está dentro de você?”,indagou Naiara logo no início da sua mediação, chamando de imediato a atenção do público. Falou sobre o sentido da maturidade e para desamarrar os nós que vamos tecendo durante a vida. Convidou a entrar a primeira palestrante, Denise Massaferro, mestre em gerontologia.

Todos juntos a pedido dela cantaram “ Pela luz dos olhos teus” de Tom Jobim. Para ela , o propósito de uma vida está na luz dos olhos. – “ O que faz brilhar seus olhos?”, mas Denise queria saber aquela luz verdadeira, pois ” a criança que há dentro de você, ajuda a fazer brilhar essa luz. “Envelhecer com brilho nos olhos é viver!”. Ela ia aos poucos encantando o público com suas assertivas . Não, não é fácil fazer os olhos brilharem. As dificuldades são imensas, os preconceitos, os paradigmas e muitas vezes o idoso não tem esse brilho nos olhos. Viver de nostalgias não é viver .Ela defendeu que o idoso pode, sim, ser o que quiser, ter projetos novos, lutar por seus direitos. A maturidade é entender que sempre precisamos correr atrás. Para ela, nessa fase,  não há idade para mais nada. “Faça o que dá sentido a você!” e finalizou dizendo : “Faça a leitura do mundo e entre nele”.

A segunda palestrante foi Ligia Costa, coaching de gestão de negócios.  O tema “Inteligência Emocional.” Ela disse que nunca pensou em empreender mas depois de 18 anos no mundo corporativo, foi demitida. “– E agora?” Para reponder essas pergunta ela foi em busca do conhecimento, impactar pessoas. Disse a si própria: “-Vai lá ! Faça você por você ! “ Ligia falou  que temos que trabalhar a mente , parar de reclamar e ter coragem para ser quem realmente  somos. Finalizou sua apresentação dizendo: “Respeite-se! E acredite em seus projetos”.

O terceiro painel contou com a participação de Cid Torquato da Secretaria Municipal de Pessoas com Deficiência . Advogado formado pela USP. Falou sobre superação, já que é cadeirante. Disse que não é tarefa fácil superar os obstáculos, mas que sempre empreendeu : desde a escola até o governo. Morou na Alemanha muito tempo e lá aprendeu uma palavra que usa e gosta muito: Ferbéssaro, que significa “a melhora do mundo”. Cid abraçou essa Ferbéssaro e a leva junto até hoje. Segundo ele, a experiência e a maturidade fazem a diferença. Trabalha na prefeitura mas já está vendo onde vai se reinventar. O que quer fazer, o que lhe dá prazer.

Houve então o Bate Papo onde a plateia pôde participar intensamente.  Após o intervalo aconteceu o segundo Painel, cujo tema foi : Reinvenção 50+,  e mediadora foi a jornalista Lilian Liang.

Um diferencial do workshop foi a indagação  logo no  cadastramento sobre o ídolo das pessoas participantes. E durante o andamento do dia era curioso para as pessoas descobrirem ou saberem dos  ídolos uns dos outros. Com esse gancho, a jornalista Lilian Liang falou sobre o seu ídolo, no caso, ela: sua mãe. O orgulho de ver essa senhora vir de Taiwan sem falar uma palavra em português e aqui criar três filhos e vencer, realizar, fazer !

Lilian falou da sua alegria em participar do evento e que envelhecimento não é sinônimo de doença. Apresentou então, o primeiro palestrante do segundo painel da tarde, o executivo, Rodrigo Almeida com a palestra  “ Sem medo de ser Feliz”. Ele iniciou dizendo que a vida é feita de momentos felizes e que aquele era um. Trabalhou na Monsanto durante 30 anos e está em uma transição, perto da aposentadoria. Para ele o mundo Corporativo ilude e alertou para as pessoas se prepararem para o pós aposentadoria . Continuou com a pergunta- “ no que eu sou bom?” Para uma continuação de carreira, segundo ele, fazer finalmente o que gosta. “ Se você faz o que gosta, se diverte”, disse. Continuou com algumas preciosas dicas como: Não espere muito dos amigos, de onde você menos espera, vem as coisas boas. Quando você se aposenta, precisa ver o que de bom vem junto: vida nova, desafios, oportunidades e…nenhum e-mail na caixa postal. Hora e  tempo de se cuidar mais, corpo e alma; não tenha rotina, mas coloque metas; cultive contatos;  esteja  perto dos amigos; faça acontecer encontros;  fique perto de pessoas jovens , com toda a energia que tem, sempre é salutar. E finalizou dizendo que o  relacionamento é o principal ativo da nova vida.

Lilian Liang anunciou então o  segundo palestrante do segundo painel,  o empresário Erik Cavalheri, administrador de empresas. De uma forma descontraída Cavalheri fez a palestra: “Investindo em Startups depois dos 50.” Iniciou com um vídeo contando sua história e como ele começou quando foi trabalhar em uma loja da Boticário em Guarulhos, SP. Brincou dizendo que era tão bom em vendas que se casou com uma cliente e arrancou risos da plateia. A partir daí e com muita coisa dando errado, ele persistiu e hoje tem 34 lojas franqueadas.

Ele adverte que não se deve parar depois dos 50. E deu alguns exemplos do que anda fazendo online e Startups: “L” (Pago Livre : maneira eficiente de converter leads em clientes e “ Finanças 360 graus”.

A mediadora Lilian Liang chamou ao palco a terceira e última palestrante do dia, a empresária Helena Schargel.

Muito aplaudida , a conhecida e brilhante senhora de 78 anos começou a falar sobre sua vida: criada no interior, tinha que ajudar com o sustento da casa e  muito cedo começou a trabalhar. Casou e cuidou da casa e dos filhos. Fez cursos e cursos e trabalhava muito. Por gostar muito de cozinhar disse  que fechou muitos negócios na mesa da cozinha. Após 45 anos de trabalho disse:-“ Chega ! Quero parar !” E parou e fez cursos. Mas faltava algo. Fez terapia. Mas faltava algo.  Estava sem alegria e motivação até que foi convidada para um evento na Unibes :” Café 50+ “E tudo mudou! Cada pessoa presente, tinha que falar o nome e o projeto que tinha. Mas ela não tinha nada. Nenhum projeto. Quando chegou a vez dela, disse o nome e….meu projeto é……Lingerie para pessoas acima de 60! Veio na hora na minha cabeça,  de repente”, disse. Lingerie especial, adaptado às pessoas com suas dificuldades em achar uma lingerie apropriada. Ela conta que todos aplaudiram na reunião e ao final vieram perguntar onde encontravam a lingerie dela. “Eu não tinha nada, mas respondi que iria divulgar em breve”. A partir daí nasceu a bem sucedida “Recco” e adivinhem? A musa que desfila nada mais nada menos que ela, a criadora: Helena Schargel. Para finalizar, disse: “ Temos hoje longevidade, podemos ter 90 anos e inteiras!!”, sendo aplaudida de pé.

A mediadora Lilian Liang  iniciou então o debate com a plateia e, depois, chegou a vez da última palestra do dia. Com o título de “Outra Praia” , Dilma Souza Campos fala sobre sua experiência de vida: preconceitos e humilhações por ser pobre e negra. Em sua linha de tempo disse que trabalhou 8 anos como balconista e achava o máximo, pois “era o que tinha para ela”. Com a oportunidade de estudar em um colégio particular, o Anglo Latino, ela tomou consciência de 3 coisas: de que era negra, de que era pobre e de que a Disney existe. Ela conta que a vida de menina pobre foi seguindo até ela se descobrir bailarina.  Participava de eventos e na coxia ouvia os palestrantes e se encantava. Até que encontrou a Rede Mulher Empreendedora. Fez  alguns projetos que não  deram  certo, mas insistiu. E conta que prendeu com a vida, aprendeu que é bom ouvir o que a gente não quer ouvir, aprendeu que a troca entre as pessoas é rica demais e que só há um futuro quando a gente tem atitude! Para finalizar disse:  “ -Se quero ser empreendedora? Eu sou empreendedora’, encerrando, com sua participação, o evento.